Reserva de pau-brasil vira área de preservação ambiental

A maior e mais importante reserva de pau-brasil em território fluminense, na Serra das Emerências, na divisa de Cabo Frio e Búzios, integra desde ontem a mais nova área de preservação ambiental (APA) do estado. A governadora Benedita da Silva assinou decreto criando a APA do Pau-Brasil, que protege seis praias e seis ilhas do litoral de Cabo Frio e Búzios. O decreto proíbe desmatamentos, caça, loteamentos, abertura de estradas, mineração e atividades nos próximos cinco anos, prazo para a elaboração do plano de manejo da APA.

A área protegida vai do Canal Itajuru, em Cabo Frio, até o canto direito da Praia de Tucuns (Búzios). Estão incluídas na APA as praias Brava, das Conchas, Peró, Caravelas, José Gonçalves e Tucuns, além das ilhas Comprida, Redonda, dos Papagaios, Dois Irmãos, Capões e Emerências (ilha e ilhotas). A faixa protegida, cuja área total ainda não foi fixada, vai das ilhas até a Estrada Cabo Frio-Búzios.

Estado do Rio tem dois centros de diversidade

Dentro da APA estão 12 mil metros quadrados de reserva de pau-brasil, que é pesquisada por uma equipe do Jardim Botânico do Rio chefiada pela botânica Tânia Sampaio. A faixa protegida é uma das 14 áreas do Brasil consideradas centro de diversidade de plantas. Das 14 áreas, somente duas estão no Estado do Rio: a Mata Atlântica e o litoral de Cabo Frio e Búzios, agora protegido pela APA:

A ocorrência de pau-brasil, sítios arqueológicos, plantas endêmicas, o fenômeno da ressurgência e o baixo índice pluviométrico tornam a região especial em termos ecológicos. A APA é um avanço, mas o decreto não desapropria terras. O ideal é que a região fosse protegida como unidade de conservação, com a desapropriação das áreas de valor ambiental - disse o pesquisador Cyl Farney Cantarino de Sá, do Programa Zona Costeira do Jardim Botânico, que participou dos estudos da APA.

O subsecretário estadual de Meio Ambiente, Édson Bidin, disse que a APA vai preservar as áreas verdes que ainda não foram atingidas por loteamentos. A APA foi delimitada com ajuda de fotografias aéreas do ambientalista Ernesto Galiotto. O decreto prevê a participação da sociedade na elaboração do plano de manejo da APA, que protege ainda a planície do Peró, costões rochosos e lagoas.

- O plano de manejo vai fixar as áreas de preservação permanente, zonas intocáveis que devem ocupar 80% da APA - garantiu Bidin.

Estudo ajuda a proteger as árvores

O Jardim Botânico do Rio faz o estudo genético do pau-brasil na Região dos Lagos desde 1993. Segundo a pesquisadora Tânia Sampaio, trata-se de um estudo único no mundo para proteger as matrizes da área remanescente e garantir a preservação da espécie que deu nome ao país.

A maior concentração de paus-brasis está na Serra das Emerências, em Búzios, onde o crescimento das árvores é acompanhado por pesquisadores do Jardim Botânico. A reserva era muito maior, mas a expansão imobiliária e a mineração devastaram cerca de quatro milhões de metros quadrados de florestas nos últimos 15 anos. Para traçar a cadeia reprodutiva da espécie, cada árvore é cuidadosamente medida e marcada. Tânia Sampaio destaca que árvores de pau-brasil não sobrevivem sozinhas:

Elas precisam do ambiente da floresta

Segundo o historiador Moacir Werneck de Castro, a exploração do pau-brasil em terras fluminenses começou por Cabo Frio, onde foi instalada a primeira feitoria da árvore na região. O ambientalista Ernesto Galiotto espera que a reserva seja transformada em área de preservação permanente antes do ano que vem, quando Cabo Frio comemora 500 anos.

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